segunda-feira , 25 junho 2018
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Ecos de uma primavera inacabada

An Egyptian waves a national flag as protesters gather in Tahrir square in CairoAs redes sociais galgaram alguns patamares na credibilidade de acadêmicos, céticos e “migrantes digitais” devido ao papel catalizador que exerceram durante a primavera árabe no Egito em 2010. Hoje, a Praça Tahir deixou de ser apenas aquela que abriga o Museu Egípcio, mas assumiu a identidade jovem do Cairo, ecoa as vozes de uma primavera inacabada por entre barricadas obsoletas de concreto e arame farpado que ainda ocupam calçadas e sarjetas.

Um olhar para o cenário político no Egito é um prenúncio de que a primavera fora imperfeita. Após a queda de Osni Mubarak, uma liga religiosa assumiu o poder, em sintonia com a virada político-religiosa que a Turquia também assumiu, mas logo foi também derrubada: os militares hoje governam o país.

Cinco primaveras depois, a UNESCO, Universidade do Cairo, organização Mentor e Universidade Canadense Arham organizaram a conferência “Alfabetização para a Mídia diante da Invasão de Mentes da Era Digital”. A ideia é tão simples quanto progressista: quanto mais mentes na comunicação, melhor. Mas sempre com a preocupação de que uma nova ” alfabetização para a mídia” esteja presente nas escolas – e que este seja um tema compreendido e apreendido por crianças e jovens.

Para tanto, em dezembro passado, as escolas públicas do Cairo receberam um kit para treinamento de professores no tema das novas mídias, preparado pela Universidade do Cairo e organização Mentor, com apoio da UNESCO.

No evento, dentre apresentações acadêmicas de representantes de todos os países árabes, uma retórica foi difundida: “nossas primaveras souberam como destruir, mas não como reconstruir”.

“Construção” é a agudez do trabalho em rede; a resposta provavelmente vem com a implementação do tema da alfabetização para a mídia nas escolas – está na educação a oportunidade de construir um novo país e continuar os feitos de 2010.

Uma grande lição que vem do Egito, explícita no evento: a proximidade e preocupação da Universidade para com a qualidade Educação Básica e a expressão de seus alunos, mesmo diante de um governo militar. O Brasil está centenas de primaveras atrás nesse cenário – num panorama político democrático.

Por Alexandre Le Voci Sayad , do Cairo (Egito)

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