sexta-feira , 25 Maio 2018
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Penso, Logo Existo!

Esse material é fruto de pesquisas sobre o Discurso do Método, a Moral Provi­sória e o Projeto Epistemológico de Descartes.

Interessante notarem como Descartes, que apesar de utilizar o rigor da matemática para fundar seu método, inseriu Deus como conhecimento inquestionável, dessa forma, ficou longe do foco da Igreja, até porque, ele próprio era católico!

Vamos ver mais um pouco…

Os racionalistas afirmam que a única fonte do conhecimento universal e objetivo são nossas ideias inatas e que o conhecimento através da experiência é relativo e contingente.

Descartes foi um dos pensadores racionalistas, criador de um método de investigação do conhecimento que pudesse chegar mais próximo da verdade, seu método foi inspirado no rigor da matemática, pois sendo universal, poderia dar respostas a todas as questões da ciência. Quatro fatores norteavam seu método:

O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele.

O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las.

O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.

E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir. O método ensinava a seguir a verdadeira ordem e a enumerar exatamente todas as circunstâncias daquilo que se procurava. Tudo advinha do principio da duvida, neste caso, a duvida para Descartes provinha dos sentidos, pois estes podem nos enganar.

Segundo Descartes:

“Da mesma maneira, para não hesitar em minhas ações, enquanto a razão me obrigasse a fazê-lo, em meus juízos, e a fim de continuar a viver desde então de maneira mais feliz possível, concebi para mim mesmo uma moral provisória, que consistia apenas em três ou quatro máximas que eu quero vos anunciar.”

Tendo um método, foi fácil para ele estabelecer um conjunto de regras morais, que apesar de estar voltado para as questões da ciência, era possível delinear um conjuntos de regras morais. Para isso, refletiu sobre a sua própria experiência para compor sua Moral Provisória, através de 4 máximas:

A primeira era obedecer às leis e aos costumes de seu país, mantendo-se na religião, pois estava convencido de que o melhor a fazer era seguir as leis dos mais sensatos.

A segunda máxima consistia em ser o mais firme e decidido possível nas suas ações, libertando-se dos arrependimentos e remorsos; A terceira máxima era a de procurar sempre antes vencer a si próprio do que ao destino, e de antes modificar os seus desejos do que a ordem do mundo; e, em geral, a de habituar-se a acreditar que nada existe que esteja completamente em nosso poder, salvo os nossos pensamentos.

Para a conclusão dessa moral, decidiu passar em revista as diversas ocupações dos homens na época, para procurar escolher a melhor; e, sem pretender dizer nada a respeito das dos outros, achou melhor continuar naquela mesma em que se encontrava.

As três máximas precedentes se baseavam apenas sua vontade de continuar a se instruir: pois, tendo Deus concedido a cada um de nós alguma luz para diferenciar o verdadeiro do falso, não julgaria dever satisfazer-me um único instante com as opiniões dos outros, se não tencionasse utilizar o meu próprio juízo em analisá-las, quando fosse tempo.

Com a criação de um método, mesmo que somente cientifico, serviu de base, também, para reflexão dos comportamentos e a criação de um conjuntos de regras para alicerçar o comportamento moral das pessoas e, através desse mesmo método, iniciar um projeto epistemológico. Em uma das suas meditações ele diz:

“… Ao considerar que os nossos sentidos às vezes nos enganam, quis presumir que não existia nada que fosse tal como eles nos fazem imaginar. E, por existirem homens que se enganam ao raciocinar, mesmo no que se refere às mais simples noções de geometria, e cometem paralogismos, rejeitei como falsas, achando que estava sujeito a me enganar como qualquer outro, todas as razões que eu tomara até então por demonstrações. E, enfim, considerando que quaisquer pensamentos que nos ocorrem quando estamos acordados nos podem também ocorrer enquanto dormimos, sem que exista nenhum, nesse caso, que seja correto, decidi fazer de conta que todas as coisas que até então haviam entrado no meu espírito não eram mais corretas do que as ilusões de meus sonhos. Porém, logo em seguida, percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava.”

Para Descartes, o argumento da duvida é o “gênio maligno”, cujo objetivo é nos enganar, mesmo nas verdades inquestionáveis da matemática. Dessa forma, todas as duvidas são fruto do ato de pensar, neste caso a duvida passa a ser obvia. Por isso, segundo Descartes, podemos vencer esse gênio como a máxima “Penso, logo existo”, pois é a formula que pode nos levar a base de qualquer conhecimento, servindo como ponto fixo para construir novos pensamentos.

Apesar da duvida ser indubitável, o Ser pensante não pode garantir o conhecimento das coisas que habitam fora dele, por isso, a idéia de Deus para Descartes é a única garantia do conhecimento externo das coisas.

As bases da construção do pensamento filosófico de Descartes estão apoiadas no conceito dualista: Deus e Matéria, para ele as substâncias se dividem em duas: a pensante e a material.

Com essas dissertações, Descartes deixa um caminho para os demais racionalistas.

Fonte: Renato Alves

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