sábado , 17 novembro 2018
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Dualismo x Monismo – Afinal o que é o ser Humano?

Homem IntegralSerá o homem uma “unidade indissolúvel, um ser que não pode caber em nenhum reducionismo.

Apesar do estudo de Antropologia Filosófica ser recente, a constituição do Homem como um ser diferenciado dos demais, ou seja, a sua definição ontológica é motivo de discussão desde o início da Filosofia, se não for o seu objeto principal, pois, a partir desse entendimento, foi possível criar condições de convivência com os demais, como a Ética, o trabalho, a política e a educação.

Podemos ver claramente que as posições Dualista e Monista sempre são enriquecidas com novas proposições.

Como principais expoentes do Dualismo iniciamos com Platão, passamos por Santo Agostinho no inicio da idade média e Descartes no período moderno. Os pensadores do Monismo foram Aristóteles, Tomas de Aquino e Spinoza, quase que em períodos simultâneos, ou seja, desde o inicio vemos essas posições se alternando em períodos de tempo e espaço semelhantes.

Sob a visão do dualismo, o Homem é dividido de 2 substancias diferentes, que foram denominadas de maneiras diferentes por cada pensador. Por exemplo, Platão postulava que a o mundo era dividido em dois, o mundo das ideias e o mundo sensível, no mundo das ideias está a perfeição do Ser, das formas puras e perfeitas, enquanto que o mundo sensível é mutável e imperfeito, ou seja, eram simples representações e interpretações da verdadeira realidade, sendo impossível chegar ao conhecimento real por essa via.

Santo Agostinho retoma Platão, substituindo o mundo das ideias de Platão pelo mundo de Deus. Descartes, pela duvida sobre tudo, denominava esta divisão em coisa pensante (res cogitans) e coisa material (res extensa).

Resumindo, para o dualismo o corpo ou a matéria é obstáculo para a realização plena do homem para chegar a verdade ou a Deus, neste caso, dependerá do enfoque, ou seja, sob a visão antropológica ou teológica.

Sob a visão do Monismo Naturista, o Homem é um ser único e indivisível. No mesmo período da Filosofia Antiga, Aristóteles questiona a dualidade proposta por Platão e postula sobre as questões do Ser enquanto Ser, independente da vida em sociedade. A realidade para ele está no todo, não no mundo das ideias de Platão, ou seja, não está separada do mundo das formas, pois, não existe a ideia de humanidade, essa passa a ser uma ação concreta do Ser, da interação entre eles.

Na idade média, São Tomás aceita e desenvolve a doutrina aristotélica da matéria e da forma, do ato e da potência. Aperfeiçoa e aprofunda esses conceitos sob o viés da Teologia, tirando deles ensinamentos que se perpetuaram na Escolástica até nossos dias. Spinoza afirma que o homem é um ser em Deus, o que e diferente do conceito de “relação com Deus”, para ele, Deus é a natureza toda:

“Spinoza, dessa forma, só aceita uma unica substancia, que identifica como a natureza de Deus” (CARVALHO, 1992, p. 231).

Conclusão, ambas as teorias são reducionistas, não explicam o Homem na sua totalidade, desconsideram o homem como um ser único e original. O Homem não é simplesmente a união de duas substancias diferentes e sobrepostas, há questões culturais e sociais que influenciam sua formação, existe algo na matéria que anima o corpo do Homem, que o diferencia dos demais entes viventes.

Etchebehere (2008), define uma “dimensão espiritual” para o Homem, ele denomina esse algo mais que anima a matéria do corpo do Homem de Espirito, segundo ele, podemos notar claramente a diferença entre uma cadeira e o Homem ou um animal vivo e um morto, esse espirito definiria a vida. Nota-se que não existe a influencia Teológica sobre a definição de espirito.

Na obra “A Posição do Homem no Cosmo”, de Max Scheler, também, fala do espirito como essencial, pois pode diferenciar o homem do animal:

[…] O espírito é, pois, objectividade, determinabilidade pelo ser-assim das próprias coisas. “Tem” apenas um ser vital capaz de plena objectividade. Em termos mais incisivos: só um tal ser é “portador” do espírito, cujo intercâmbio principal com a realidade a ele exterior e consigo mesmo sofreu, em relação ao animal, uma inversão dinâmica, incluindo a sua inteligência.

Assim, o Homem têm que ser entendido como uma unidade indissolúvel, o espiritual é uma dimensão própria do Ser Homem.

Segundo a Filosofia Antropológica, o espirito é o que caracteriza o Homem, pois, lhe dá a capacidade de questionar os demais entes viventes, alterar o meio a sua volta, abstrair do próprio corpo para criar novas formas.

O corpo ou a matéria que constitui o Ser Homem, também, não é redutível, pois possui atividades que dão possibilidades para o espirito humano conhecer o mundo, pois através dele outro corpo pode ser produzido dentro dele mesmo, ou seja, existimos, como corpo, ele possibilita a comunicação com os demais, dá a pessoa humana uma identidade, da existência física e possibilidade de aperfeiçoá-se e pode ter consciência do mundo.

Isso faz do homem um ser dinâmico, que usa seu pensamento como instrumento para melhorar sua própria existência e dos demais, ou seja, faz dele um ser social, parte do que aprende, passa pela convivência com demais, o Homem é um ser social.

Dessa interação, novas culturas, modos de vida e de sobrevivência são desenvolvidos, por isso, o Homem como Ser Espiritual é indivisível e irredutível diante do mundo dos outros e não pode ser estudado de forma fragmentada. O princípio espiritual diferencia a natureza diferente da matéria que forma o corpo do Homem.

O homem é portanto a reunião do ser biológico, psicológico e o espiritual.

Por Renato Alves

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