terça-feira , 12 dezembro 2017
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Fé x Cura – Segundo os Evangélicos

evangelico 1A FÉ PODE AJUDAR NO PROCESSO DE CURA?

1. Introdução

Preliminarmente, é mister esclarecer que as breves linhas aqui apresentadas sobre o assunto em tela são postas sob a ótica estrita do cristianismo, o autor objetiva demonstrar que a fé pode exercer papel fundamental no processo de restauração da dor física psíquica ou emocional. Vale ainda ressaltar que, não se pretende fazer uma análise exaustiva sobre o tema, mas apresentar questões pontuais ensinadas por Jesus Cristo e difundidas pela igreja ao redor do mundo no transcorrer desses dois milênios de sua existência.

2. A origem das enfermidades

De acordo com a Bíblia, o homem é criação divina, e, foi criado perfeito, à imagem e semelhança de Deus. “E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gen. 2.7). Em seu estado perfeito, isto é, sem pecado, o homem não padecia de dores e enfermidades, vivia no Éden, o paraíso, gozava da prerrogativa de comandar sobre todos os animais e desfrutar sem qualquer contraprestação das delícias do lugar, vivendo uma vida perfeita.

Havia uma única regra que não poderia jamais ser quebrada, cuja sanção seria a entrada do mal no mundo sob todos os aspectos, inclusive doenças.

Com efeito, uma vez quebrada a regra, vieram as consequências, assim diz o texto sagrado: “porquanto deste ouvidos à tua mulher e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo:Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. (Gen. 3.17) grifo nosso.

Com a entrada do pecado no mundo dos homens, sua estrutura física e espiritual foi fragilizada, o incorruptível se revestiu de corruptibilidade, o forte se revestiu de fraqueza, o imortal converteu-se em mortal. O pai da raça só poderia transmitir uma natureza depravada aos pósteros, passando para todas as gerações de homens, as consequências de seu pecado. É exatamente esse estado de coisas que torna tão pertinente a pergunta de Jó, qual seja: “Quem da imundícia poderá tirar cousa pura”? (Jó 14.4).

Desde então, os vírus e bactérias que dão origem às doenças ganharam pré-disposição a evoluir e se transmutarem. Nesta linha, o pecado adâmico trouxe não apenas o mal moral e espiritual, mas também expôs o homem e sua descendência à fragilidade física, tornando-o vulnerável ao contágio de moléstias.

3. Promessa de cura

Não obstante ser o homem único responsável pela decisão de transgredir a regra de Deus, ao comer do fruto proibido, Deus sempre foi benevolente e nunca hesitou em atender as preces humanas, toda vez que o homem demonstrou arrependimento e buscou a Deus, Ele sempre esteve atento ao seu clamor. Sobre isso diz a Escritura “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter de seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (II Cr. 7.14). A Bíblia está recheada de fatos em que os homens envoltos em calamidades clamaram a Deus por socorro e misericórdia e ele os atendeu, esta fé prevalece até os dias hodiernos, a igreja acredita na intervenção divina nas questões que fogem do controle humano.

Embora o homem deva buscar a restauração física, de acordo com a Bíblia, sua prioridade deve se ater à busca da cura da dor espiritual, visto que esta é eterna, e provocadora das demais, enquanto aquela é temporária, efêmera e passiva de contornos pelo homem. A enfermidade espiritual incomoda o cristão porque é ela que degenera a alma, fragiliza o espírito e provoca as chamadas doenças psicossomáticas. Jesus demonstrou esta percepção quando conduziram um paralítico para que ele o curasse, e, sua primeira declaração foi: “… vendo-lhes a fé disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os seus pecados”. (Mc. 2.5). Sua maior preocupação recaiu sobre a doença da alma.

O profeta Isaías asseverou que a vinda do Messias, traria alívio e refrigério ao corpo e à alma humana, cap. 53 v. 4. “verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si”[…]. Isaías faz esta menção profética 700 a. C., para sustentar que a vinda de Jesus seria o ápice da manifestação da graça de Deus e seu favor para com os homens.

Nesta linha, todo aquele que crer em Jesus como o filho enviado de Deus, aceitando-o como salvador, não só recebe a cura espiritual da doença da alma (o pecado) considerada a maior das moléstias, mas por via de consequência recebe condição de lidar com as moléstias físicas, psíquicas e emocionais. Uma vez ocorrendo a restauração espiritual do homem, status que fora perdido no Éden, abre-se caminho para todas as outras áreas afetadas em seu ser.

Cremos que a fé, é o elemento de ligação do físico com o espiritual, através da consciência da existência de Deus nos termos da Bíblia. Uma vez constatada a fé, o homem passa a desfrutar das benéfices de Deus a começar pelo espírito, passando pela alma e finalmente chegando ao corpo, assim prescreve o texto sagrado: “E o mesmo Deus de paz, vos santifique em tudo, e todo vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados […] (I Tess. 5.23).Grifo nosso.

Evidencia-se que a porta de restauração no processo de cura é o espírito do homem, a parte de seu ser que proporciona ligação com o divino e não o contrário, isto é, parte-se do espiritual para o material, note que o texto sagrado nos escritos do apóstolo Paulo, citado acima, deixa claro a ordem a ser seguida.

Muitas pessoas que buscam restauração em observância aos preceitos bíblicos cometem o equívoco da inversão de ordem dos fatores e terminam frustradas e desiludidas, como se Deus houvesse prometido e falhado na promessa, isso ocorre com muita frequência por não respeitarem a ordem estabelecida pelo autor da vida.

4. A restauração através da fé e os três elementos

Grande parte dos cristãos acredita que a essência humana é composta de espírito alma e corpo, (teoria tricotômica), nesta linha, possuímos três elementos (I Tess. 5.23), que imprescinde de cuidados.

4.1 – O cuidado com o espírito

O espírito é parte imaterial que nos dá consciência de Deus e produz a sensação de necessidade d’Ele. Alguns teólogos sustentam que todo homem possui um espaço dentro de si, exatamente do tamanho de Deus, portanto, nada o preencherá, exceto Deus.

Quando o homem preenche este espaço, ou este vazio, automaticamente encontra a paz interior, seu encontro com Deus o completa e interrompe qualquer anomalia provocada pela ausência d’Ele, podemos simplificar da seguinte forma: um carro sem combustível, não deixará de ser um carro, mas estará incapaz de exercer a função para a qual fora criado, além do mais, com o tempo o motor tenderá a ter problemas por falta de uso, assim é o homem desprovido de Deus, com o tempo terá problemas, (doenças físicas, emocionais e psicossomáticas), além de perder completamente a capacidade de exercer o papel para o qual foi criado.

Cuidar do espírito é buscar relacionar-se com Deus, como disse o apóstolo Paulo à igreja de Corinto na Grécia: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu filho Jesus Cristo, nosso Senhor”. (I Cor. 1.9). Esta relação por sua vez, tende a produzir a sensação de bem-estar, de leveza, de liberdade, paz interior e vontade de viver. Presentes essas virtudes, concretiza-se o resgate de parte do que o homem viveu no Éden.

4.2 –O cuidado coma alma

A alma é a parte imaterial vivificada pelo espírito que coloca o homem em contato com o mundo à sua volta e lhe dá consciência de si mesmo. Cuidar da alma é cuidar da essência primordial de seu ser, a alma busca relacionar-se com o semelhante, disse Deus: “Não é bom que o homem esteja só” (Gen. 2.18).

Enquanto o espírito busca relacionar-se com Deus, é fundamental que se entenda que o convívio social é deveras imprescindível para o bem estar da alma, Deus não criou o homem para viver isolado dos demais. Para Cury (Sextante, 2002) “Algumas pessoas creram que poderiam cultivar a felicidade em laboratórios, isolaram-se do mundo, baniram pessoas complicadas de sua história e as dificuldades de sua vida, Gritaram: Estamos livres de problemas! Mas a felicidade sumiu e deixou-lhes um bilhete: eu aprecio o cheiro de gente e cresço em meio aos transtornos da vida”.

4.3 – O cuidado com o corpo

O corpo é a bainha da alma, por meio dele pode-se dizer que a alma explora o mundo, daí o porquê da necessidade de priorizar o cuidado com ela, quase a totalidade das doenças do corpo são reflexos de uma alma mal cuidada. Cuidar do corpo é zelar por uma boa alimentação, sem glutonarias e excessos prejudiciais, é conservar a parte física que coloca o sujeito em contato com o mundo pelas sensações emitidas pela alma.

Por fim, na medida em que se cuida do espiritual, cultivando a relação com Deus, o homem passa a desfrutar da paz interior, cumprir-se-á a palavra proferida por Jesus: “Eu vim para que tenhais vida, e tenham em abundância” (Jo. 10.10).

5. Conclusão

No palco da vida, cada um é Senhor de sua própria história, gostar de si mesmo como sujeito ímpar no meio da pluralidade é o primeiro passo rumo à superação da dor, é preciso deixar de ser coadjuvante e assumir definitivamente o papel de protagonista na construção de sua própria história. Segundo Cury: (Sextante, 2004, p. 120) “A lista de pessoas encantadoras que foram algemadas na plateia é enorme, elas poderiam ter mudado suas histórias… crianças extrovertidas perderam para sempre sua segurança depois que sofreram traumas e perdas, garotas brilhantes tiveram sua auto-estima dilacerada por não terem um corpo de acordo com o padrão doentio da mídia, são belas, mas não reconhecem isso, estudantes inteligentes não conseguiram ter sucesso porque falharam nas provas, jovens sensíveis perderam o romantismo da vida depois de fracassarem em seus relacionamentos afetivos”.

É indispensável uma consciência que prima por entender que, ser saudável é mais que estar alegre e bem humorado, é aprender ter encanto pela vida, mesmo após golpes e tristezas, reconhecer cada transtorno nessa nossa efêmera existência como etapa de um processo de maturação rumo à virtude, é ser sábio feliz e saudável.

Por Vanderley da Neves

Referências

Teologia Sistemática/ Louis Berkhof; trad. por Odayr Olivetti. Campinas: Luz Para o Caminho, 2000.
Bíblia Sagrada, edição revista e corrigida, 2006, JUERP Imprensa Bíblica Brasileira. Santo André /SP
IBADEP, Teologia. Anjos, Homem, Pecado e Salvação, 3ªed, 2004, Guaíra/PR.
CURY, Augusto Jorge. Você é Insubstituível, Rio de Janeiro: Sextante, 2002.
CURY, Augusto Jorge. Seja Líder de si Mesmo, Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

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